26/06/2017

Thalles é bem bom


Sei lá.
Levanto bandeiras que não sigo na minha própria conduta diária e isso me desgasta um tanto.
Sou provavelmente a pessoa mais hipócrita de todo o movimento de body-positivism.
Também digo a todos que temos que nos sentir completos e apenas encontrar outros inteiros, pois nenhum de nós são meras metades. Ha ha ha. Com espaços mesmo, bem falso, bem de acordo.

Ao mesmo tempo me sinto imenso e diminuto, sei dos meus buracos, sempre convivi com eles, mas agora me iludo com a ideia de alguém que seja capaz de costurá-los pra mim.
Sei que sou eu quem tem a linha e agulha, tenho consciência de procurar plenitude no outro quando na verdade preciso me amar o suficiente pra alcançar isso sozinho.
Sei lá.

É tão mais fácil atribuir a fatores externos os motivos da nossa insatisfação. "Não depende de mim, o mundo que é malvado comigo e me deixa sofrendo." Sei que é uma forma infantil e mimada de agir. Só não cheguei no momento de sair desse lodo.

Sei lá.

P.S.: Ele ainda tá namorando a menina lá. Não suporto isso. Vai contra todos os meus princípios, mas como ser humano totalmente falível me sinto tão superior a ela e não entendo como sou eu a fazer o papel de trouxa. A Débora tá namorando, continua perfeita, superou o Ronaldo com louvor. E eu tô aqui. Só me lascando mesmo.

23/06/2017

listas de querer


Sergio me disse que seria interessante que eu escrevesse minhas aspirações e o que já conquistei ao longo do tempo.
Com ele é assim, nunca me pede nada, só fala como seria ótimo caso eu o fizesse. É um pouco confuso, pois nunca sei quando realmente é algo importante ou só um comentário leve, mas né, ainda estamos aprendendo a lidar um com o outro.

Bem, vou tentar listar essas coisas por aqui.

Aspirações:


Olhar pros desenhos que faço e sentir orgulho deles. Não um raro entre tantos que deram errado, uma constância, conquistada pelo esforço e que acaba tornando natural o acerto.


Conquistar minha independência e ter minha própria casa mobilhada da minha maneira ideal (já há muito idealizada).


Trabalhar com algo que me preencha e ser bom nisso


Me desapegar do Ronaldo de uma vez por todas. Sentir um gostar genuíno por outra pessoa sem que ele me venha a cabeça como opção número 1.


Encontrar plenitude em ser só. Me sentir perfeito com meus defeitos e saber reconhecer e adorar todos os meus pontos fortes. Quero me sentir lindo o tempo todo.


Não ter medo de me mostrar de verdade pras pessoas que conheço faz tempo. Conseguir com naturalidade ser como quero a cada dia e deixar de temer pelo que podem pensar de mim ou o comportamento que podem adotar de acordo com minha postura e/ou aparência.

Conseguir conversar com as pessoas e respondê-las mais rapidamente. Me magoa essa minha apatia na hora de dar atenção as pessoas que amo. É um paradoxo querer responder e ao mesmo tempo não sentir a mínima vontade de gastar energia pra isso. Quero voltar a ter no piloto automático o modo social a distância.


Amar o meu corpo. Não sentir que sempre falta alguma coisa a ser refinada, algum detalhe que o torna inadequado, longe do meu ideal. Não simplesmente "aceitar", mas encontrar beleza nele e conforto em saber que é meu e é perfeito pra mim.


Conseguir transbordar em alguém. Pelo menos uma vez quero conseguir tirar tudo de dentro e escancarar pra alguém que me faça sentir que posso. Me despir e sentir o acalento do outro.


Demonstrar sem medo o interesse em alguém.
{ Isso é realmente algo que me incomoda, principalmente nesse período.
No começo da semana, estava saindo do metrô na liberdade quando vi uma garota maravilhosa. Sério, ela era incrível. Cabelo curtinho azul turquesa, tatuagens por todo o corpo em estilo retrô e motivos lindos e totalmente compatíveis com as que eu desejo ter em mim, olhos com cílios compridos e um tom de castanho encantador. Uma pele branquinha e uma boca rosada. Ela me viu também.
Durante o processo de subir 2 lances de escadas rolantes e mais um normal pra sair do metrô a gente foi jogando. Ela olhando muito discretamente pra mim quando estava a minha frente na escada; eu indo lentamente até o próximo lance e ela ficando logo atrás, num angulo pra que eu a visse sem nem precisar virar muito o rosto. Andando bem devagar e ela sempre me acompanhando, numa distância em que apenas um sorriso meu já a colocaria ao meu lado com um passo.

Bem, acontece que mesmo querendo absurdamente olhar fundo aqueles olhos lindos e instigantes, não o fiz e no fim nos separamos e fui pra casa deprimida minha falta de atitude generalizada.

Casos semelhantes já aconteceram diversas vezes. Alguém num ônibus e uma troca de olhares que não resulta em nada; um encontro no metrô em que começo a demonstrar algo e depois me faço de desinteressada. Uma bela bosta haha. }

- Me sentir igual as pessoas que admiro, nem mais nem absurdamente menos como normalmente ocorre. Me sentir segura sobre o meu valor e a minha relevância como pessoa na hora de falar com alguém que seja mais experiente que eu, ou alguém que me desperta desejo qualquer coisa que atualmente me faça colocar minha auto-confiança no chão haha.

Por enquanto essas são as coisas que quero bastante e que me vêm a mente de primeira.

Conquistas:

Conseguir pedir em restaurantes, ou informações olhando nos olhos da pessoa. Sim, esse foi um processo até que longo. Há alguns anos atrás, dois ou três, eu até conseguia fazer os pedidos, mas nunca olhando diretamente pra pessoa. Até quanto era algo mais simples como simplesmente conversar com alguém que eu considerava um tiquinho que fosse superior a mim (alguém pouco mais velho e que eu achava interessante, ou algum profissional) tudo que eu fazia era falar sem olhar nos olhos, até pra sorrir eu os fechava.


Querer estudar no exterior. Quando eu tinha 15 minha mãe me sugeriu ir pra fora e eu quase surtei. Ela ainda falava só num intercâmbio, algo rápido, nada definitivo, mas já me dava um nervoso que hoje nem acredito. Eu na época morria de medo de não me adaptar, não ser aceita. Meus primos estavam se dando super bem na Alemanha na época, então era um país bem em voga naquele período, e eu ficava irritadiça com a simples menção de sair do país sozinha. Hoje, é uma aspiração tão grande que já considero uma verdade absoluta na minha vida, me deixando até quase sem ansiedade. Afinal, pra que ansiedade se algo já é certo?


Ir a uma loja sozinha. Eu ainda não gosto muito dependendo do lugar de ficar sozinha indo atrás de algo pra comprar. Mas, é uma enorme evolução conseguir me divertir e sentir prazer em visitar alguma loja ou galeria sozinha, sem desespero pra escolher e ir embora.


Ter feito técnico.
Nossa, eu poderia escrever um livro só com coisas que conquistei graças ao técnico e toda a experiência que tive no dois anos de FECAP. Foi um amadurecimento incrível, cresci tanto tanto tanto, ai ai. Aprendi a lidar com multidões de gente da minha idade, falar em apresentações sem surtar ou olhar pro teto. Ir atrás de desconhecidos e conversar naturalmente, mesmo que a princípio ficasse um pouco nervosa. Aparecer em filmagens e trabalhos de terceiros e não me martirizar pela minha imperfeição sendo transmitida em redes sociais e afins (como aconteceu em diversos vídeos de trabalhos de publicidade de uma amiga minha e outros do próprio colégio em que adoravam me pegar pra falar, já que né, nem falo muito haha), ir atrás do que quero por mim mesmo, me arriscar a receber uma portada na cara de gente que eu admiro (e que aconteceu várias vezes, mas também trouxe experiências ótimas quando os "sim"s aconteciam). Bem, uma série de conquistas!


Ir na portaria pegar um lanche ou uma pizza. Sim, eu não conseguia fazer isso. O mesmo esquema do nervoso de falar com alguém pra pedir algo, os poucos instantes em que se retira o pedido, passa o cartão e espera a máquina registrar me torturavam e hoje nada mais é do que um mero momento corriqueiro.


Dar oi pra todos no ambiente em que chego com tranquilidade. Eu já fazia isso na maioria dos casos, mas sempre era um esforço e me apavorava ter que fazê-lo. Hoje é natural e até gosto da surpresa eventual no rosto das pessoas que não estão acostumadas com esse ato singelo de educação básica.



Falar em inglês num ritmo normal. Antes meu costume era falar o mais rápido possível, porque dessa forma as chances de notarem algum erro no que eu dizia era menor. Depois de várias conversas com meu professor queridíssimo de inglês acabei finalmente me sentindo segura o suficiente pra não ter que falar correndo.



Orgulho e consciência de que falo bem em inglês. Sempre tive o costume de autodepreciação, ainda mais quando alguém me elogiava. Minha resposta automática era provar pra pessoa como eu não era nada daquilo de bom que ela falava. Hoje pelo menos nisso consigo aceitar e confirmar de cabeça erguida que, de fato, sou boa nisso.



Dispensar pessoas de quem não gosto. Isso ainda é algo que costuma me doer, mas só de ser capaz de expressar a rejeição já é um grande passo. Não foram muita as ocasiões em que isso foi necessária, mas as que vieram apesar de pontuais me marcaram. Dói dizer a alguém que ela não te agrada, porque sei muito bem como é estar nessa situação. Ou não sei, porque sempre guardei tão bem minhas paixões que nunca recebi um não de forma clara. Sempre fiquei na idealização do sim e não certeza auto sugerida do não alheio, o que acho que é bem pior do que dar a cara a tapa como essas pessoas.

Bem, não vou dizer que sou ótima nisso, mas é uma conquista, afinal, é um sinal de respeito a minha vontade e um esforço tremendo pra achar ok fazer algo que sei que vai magoar alguém.


Não deixar mais as pessoas comprarem ou fazerem algo que acreditam ser "o que eu gostaria" quando na verdade não tem nada a ver com o que realmente quero.
Isso é algo bem amplo, desde deixar que minha mãe comprasse alguma blusa pra mim  e eu odiasse a peça, nunca usasse, mas também jamais comentasse meu desagrado; até permitir que alguém mesmo que meu amigo me coloque em alguma situação com a qual eu não esteja confortável, ainda que numa camada extra-superficial seja algo próximo do que eu gostaria. (Ex: aquela velha jogada do "ai, deixa que eu falo com fulaninho por você, vou dar um jeito de vocês ficarem juntos", nunca quero isso e mais de uma vez minhas amigas fizeram planos e mais planos pra me arranjar e eu nunca as impedi como queria)


Ir a um banco sozinha e resolver burocracias em geral. Graças ao Canadá, apesar de extremamente desgastante consigo ir atrás de pendências sérias ou informações legais que preciso e falar com estranhos desse meio sem muito problema. É uma dificuldade dar o primeiro passo, como ir até o banco, mas quando estou no local em que preciso tomar atitude as coisas fluem. É bom.


- Ir ao médico sozinha. Isso já era uma coisa que eu queria faz algum tempo. Minha mãe sempre me sufocou em consultas médicas ou qualquer ocasião em que eu fosse o assunto da conversa. Ela faz da consulta uma espécie de monólogo sobre a minha vida e aspectos que muitas vezes são irrelevantes para o momento. Sempre me irritou isso nela, essa coisa involuntária de contar da minha vida e expor tudo pras pessoas que as vezes nem mesmo conhecíamos direito.
Por enquanto acho que é isso.

17/06/2017

haa



Sei lá, sabe.
As vezes me aperta o peito, as vezes me encanto por outros rostos, mas nunca o suficiente.
Sei lá.
Você tá sem tempo, eu tô sem tempo pra me envolver com alguém.
Eu vou embora, você já foi.
É uma merda isso. Sonhar com você quando o sono não vem. Escolher você como personagem dos meus sonhos dirigidos.
Queria ter prestado mais atenção. No seu dente levemente tortinho. Na forma das suas mãos, como cada falange mostra seus ossos.
Seus olhos. Será que tem pupilas de tamanhos diferentes? Assim como os meus.
Sei lá, sabe.

06/06/2017

batalhas


No domingo minha tia me chamou docemente pra conversar comigo sobre o meu cabelo. Há uns dias atrás eu tinha ficado super feliz com ela comentando que "sabe que estou num momento mais andrógeno" e aí me surpreende com isso: ela teme por mim com meu "visual andrógeno" no Canadá.
Foi muito difícil ouvir que ela compreendeu (bem errado, aliás) que quando cortei meu cabelo eu estava fragilizado, magoado e que esse era o meu sinal pro mundo pra que nenhum cara se aproximasse, mas que agora os meninos podiam olhar pra mim e se sentirem intimidados pra chegar. Além disso ela temia que eu tivesse que enfrentar batalhas desnecessárias.

Sério, foi um momento horroroso. Ela me falando com todo carinho e cuidado do mundo, certamente com a melhor das intenções.

O problema é que isso tudo também me passou pela cabeça, pelo menos uma parte. Já faz alguns meses desde que cortei meu cabelo e adotei uma postura menos feminina, o que foi uma das maiores libertações que já vivi. Um problema era o medo constante de não ser aceito pelas pessoas, por possíveis interesses românticos, por ex-the Cara, caso voltássemos a nos ver.

"O que vão pensar de mim?" "Vão me compreender e me ver sem as camadas superficiais e estéticas?" isso já me apavora sempre que penso em cirurgia de redução.

Na sessão passada Sérgio me perguntou se gosto do meu corpo. Minha primeira resposta foi que eu gostaria mais dele se fosse de outra pessoa. E é exatamente isso, gosto do corpo de garotas e de garotos, mas o meu não me deixa muito realizado. Eu queria ser muito feliz sendo uma mulher, com corpo de mulher e esteriótipo de mulher, mas não é assim que sinto.
Eu sou um não-binário com características biológicas incômodas, mas sobrevivo a isso. A questão é se além de sobreviver serei capaz de achar alguém que me enxergue como deve ser e me queira assim.

Procuro acreditar que sim, afinal de contas sou um romântico incurável, mas as vezes o medo vem.

É claro que percebi a enorme queda na quantidade de olhares que recebo quando saio de casa. É claro que percebi a falta de interesse generalizada dos homens ao olharem pra mim, mas também noto a cara confusa por breves momentos dos gays que veem primeiro meu rosto e depois (infelizmente) meu torso. E é isso que me alegra, saber que um dia talvez eu chegue num ponto em que olhem pra mim só com cara de interesse e nenhuma confusão. Porque eu transcendo essas caixinhas idiotas e apesar de não encontrar muita gente que me acompanhe nisso, preciso resistir, certo?

Depois que a Tchela sugeriu que eu voltasse a usar mais símbolos femininos e deixar o cabelo crescer outra vez tentei imaginar um cenário com todas essas sugestões acatadas. O resultado com certeza me faria parecer milhões de vezes mais atraente para os homens. Sei que meu rosto e meu modo de agir normalmente remete as pessoas a uma garotinha doce, inocente e bem jovem. E me enoja o fato de isso atrair muita muita gente.

Ela se refere a batalhas sobre bandeiras LGBTQIA que eu terei que travar em solo estrangeiro e teme que sejam demais pra mim sozinho, mas sabe, sinto que preciso passar por isso. É da minha verdade que estamos falando e não acho que posso esconder meu verdadeiro eu pra que a sociedade seja mais boazinha comigo. Seria sufocante e errado.

Ainda temo um pouco pelo meu futuro, sei que as coisas são bem mais complicadas pra não binários, o mundo ainda não está pronto pra nós. Só quero achar alguém como a namorada do personagem não binário de Todo Dia (personagen este que nomearei quando tiver o livro em mãos pra checar, não to falando do A, é o da namorada que entra pela janela haha). Ela o enxerga como ele quer e precisa ser visto e o ama por inteiro, com todas as suas faces.

Sei que é meio demais.

30/05/2017

tempo


É muito bizarro o quão enorme é minha vontade de escrever até o momento em que posso finalmente olhar pra esta bendita tela e sentir que todo meu sentido foi esvaziado. Puta merda, viu.

Bom, estou com um plano há semanas de escrever um montão de coisas pra levar pro Sérgio. Ele não atende de jeito nenhum online então tenho que aproveitar ao máximo o tempo que tenho e pra isso acho que ajudaria muito se eu realmente escreve essas coisas todas que tenho em mente.
Toda sessão praticamente falo de pessoas que fizeram ou fazem parte da minha vida e ele pede pra que eu "os apresente pra ele" e sabe, isso consome muito tempo. Então minha ideia é escrever um perfil das pessoas que foram relevantes (de forma positiva ou negativa) ao longo do tempo.
Claro que isso vai demorar um século pra ficar pronto e só de pensar já me desanimo, mas farei o possível pra conseguir ao menos começar com isso.

Hoje separei umas duzentas imagens pra levar pra ele. Separei entre as que me identifico e as que gosto. Agora quero tentar separar também algumas músicas que amo muito e alguns trechos de livros que grifei.
Pois é, agora meu movimento é de basicamente levar o máximo de mim de forma escrita/gráfica pra dar uma agilizada.

Voltei a falar com ele...ainda não sei no que vai dar. Pelo jeito nada. Ele tá muito ocupado e correndo (igual sempre) pra poder falar comigo por telefone. Sei lá se isso é bom ou ruim.

Vou voltar a trabalhar a partir do dia 14. Parece tão longe, mas deve ser o melhor pra mim... Preciso arrumar tanta coisa ainda. Nem sei com que família vou ficar. Ainda estou superando o baque que tive com a família cristã que se reserva o direito de não comentar seu posicionamento com relação a comunidade lgbtq. Ai ai, vamos em frente, leãozinho.

Meio que é isso.

P.S.:Esse é um site maravilhoso e um teste que recomendo ao mundo todo fazer porque os tipos de personalidade são muito bem detalhados e é tudo super accurate! Este é o meu tipo, a propósito: aqui . Pretendo levar isso pro Sérgio também, aliás.

16/05/2017

To be


É tudo tão maluco. Tão rápido.
Em menos de dez consultas já aprendi e reconheci tantas coisas.
Ainda resta muito, mas é tão claro como pesos foram retirados do meu peito.

É tão claro como dores minhas foram causadas por coisas que eu jamais me permitiria aceitar e confirmar.
Pensar, mais do que isso, ouvir de alguém que posso ser e dizer o que quiser é único pra mim. Não que essas coisas não tenham sido repetidamente ditas, só que esta é a primeira vez em que estou conseguindo aproveitar e ser eu mesmo.
Só de pensar nisso tudo já choro, ainda sorrio, pois é mais forte que eu o impulso de esconder a fragilidade, mas não importa. Um grande passo foi dado.

Posso me irritar, reprovar, me estressar, e principalmente magoar os outros. Não há condenamento para nada disso. Não há razão para que eu me ponha na forca por nada disso. Parece um pensamento um tanto óbvio colocando dessa forma, mas é tão novo e libertador.
Uma vida não atrelada ao bem estar e cumprimento de metas alheias (mesmo que estes "outros" me sejam queridos) é tão maravilhoso, tão assustador que por anos e anos nunca permiti a mim mesmo experimentar essa sensação; esse modo de viver.

Viver, de fato.

Viver pra mim. Sem me doer por não ser ideal, por ser espontânea até nos meus momentos ruins.
Mostrar que tenho uma parte ruim, esta é uma das chaves principais. Uma eterna angústia, o que me apavora na hora de criar vínculos. O que me apavora na hora de mantê-los.

Aprender que não há problema em ser como sou, rejeitar partes de terceiros e ao mesmo tempo abraçar e compreender as minhas próprias partes jogadas por anos no fundo da alma e etiquetadas como vergonhosas é um processo duro, mas imensamente recompensador.
Duro porque lidar de frente com características que me foram passadas como negativas é algo penoso, pelo menos por enquanto.

Bem, eu chego lá.
A gente sempre chega.

E eu não tô bem, ao menos não exclusivamente bem. Isso é ok. Não há qualquer obrigatoriedade e muito menos uniformidade em meu estado de espírito e essa consciência é linda.

12/05/2017

Atualizações esporádicas

Obs: era pra esse post ser enviado ontem, mas minha internet tava chata, então fica pra hoje mesmo.

Olás!

Primeiro: Nath, muitooooo obrigado pela msg de aniversário, até chorei lendo (como bom florzinha que sou), mas estou trabalhando essa semana então não consigo tempo pra nada, nem consigo formular frases direito.
Este momento é uma rara e feliz excessão e ele só é possível por eu ter chegado 1h antes do meu horário com o Sérgio.

Bem, vamos lá:
Meu aniversário passou, na semana retrasada eu parei de tomar meu remédio e até alguns dias não tinha dado diferença alguma, mas o quadro mudou no início do mês.
Foi bem ruim, sinceramente. Fiquei muito irritadiço, introspectivo e mal humorado de uma hora pra outra. Não tinha como controlar nenhuma das minhas interações com os outros, então quando me dava conta já tinha sido super rude com minha família (que infelizmente era quem tava comigo nessa semana infeliz, coitados).
Apesar desse stress, foram dias produtivos.
Mamãe tirou sua empedrada vesícula fora e passou um tempinho na casa dos meus avós, o que foi ótimo pra eles, pois é uma excelente companhia e nem tão bom pro Marcelo, já que ela ficou no quarto dele durante o período de recuperação. Aproveitando que ela estava lá fui com o gordinho pra alegrá-los mais ainda (isto é, meus avós).
Decidi arrumar o quarto do Marcelo de uma vez por todas. Ano passado já tinha dado uma geral, mas ele conseguiu entulhar aquele lugar outra vez. Enfim, depois de dias com a mão ferida de tanto lavar as mãos por tocar em coisas imundas socadas nos confins daquele quartinho apinhado de armários consegui.
É incrível como a diferença faz daquele lugar muito mais saudável pra ele. Sei que o Ma é café com leite então fazemos vista grossa, mas minha nossa, não dava pra continuar endossando aquela zona.
Engraçado como meu trauma de bagunça permanece, mesmo não sendo a minha casa me desespera e tenho uma empatia muito grande com as pessoas presas nisso, pois sei como é horrível essa impotência pra arrumar por dentro e por fora.
Bem, espero que a limpeza tenha ajudado ele por dentro.

Depois falo mais. Já minha sessão começa.

Retomando (ainda antes da consulta):
Não fiz muito mais que a arrumação.
A avó da Giully faleceu e por isso não tive aula, o que significou ambos muita dor por ela e muita irresponsabilidade com meu progresso.
Hoje consigo perceber o quanto me prejudicou esses dias todos sem treinar. Estou super enferrujada e parece que regredi meses. Uma bela bosta.
Bem feito pra mim, não tenho muito a reclamar já que é puro karma.

Achei que conforme eu fosse me acostumando com a rotina de trabalho iria adequar minhas aulas e treinos, mas ainda não cheguei lá (igual sempre) então estou começando a me preocupar com o prejuízo que isso está me dando.
Preciso tomar vergonha na cara. Preciso ser quem eu preciso ser. Não pelos outros, mas por mim.

Falando nisso dispensei o menino fofo porém muito carente que mencionei anteriormente. Ele era mesmo uma graça, mas a carga dele antes mesmo de termos um encontro já era tão grande que fui incapaz de suportar.
Ele já se imaginava morando comigo! E a gente nem tinha saído!!!1! Pois é, tadinho.

Sei lá, percebi que agora o que preciso é de alguém muito maduro e disposto a abdicar das regrinhas sociais de relacionamento. Afinal quase não tenho dias livres, preciso estudar, ver coisas pro Canadá e tenho todos os meus amigos pra ver. Não estou em condições de fazer as vontades de ninguém, mal consigo suprir as minhas.

Tenho pensado muito no Ronaldo esses dias. Pelo que sei ainda está com a menina lá. Não sei ao certo de onde vem essa nova onda dele, será que também tá sentindo? Tomara que sim. Ele merece sofrer por mim.

Quase  mandei um email pra ele sugerindo uma retomada de contato amigável. Claro, este seria um erro gigantesco e me jogaria de novo no fundo do poço que ainda não consegui sequer escalar até o topo, mas né a vida sempre tenta a gente.

Ainda preciso cicatrizar. Eu chego lá haha.

Tomada que o Sérgio me dê os remédios de novo. As coisas eram mais leves com eles.