09/08/2017

Obviamente a vida adora espremer uns limões nos meus olhos, certo?

E não é que ele veio falar comigo, todo surpreso de eu ir embora. Sendo que eu falei logo de cara quando a gente se viu. Não foi um "ah, vou passar 20 dias no Canadá de férias" foi "vou mergulhar um ano estudando no Canadá".
Enfim, agora "claro que ele quer me ver", todo a favor de saber meus horários possíveis.
Acontece que eu já tava contando com a inércia dele e preenchi os meus espaços.
Mas vou dar um jeito da gente se ver só pra jogar umas verdades na cara dele. Pelo amor gente, devia ser ilegal envolver alguém e ser ausente desse jeito.

Pouco me importa se ele toma 4 comprimidos de sertralina, faz engenharia e o escambau.
Eu tomo 2,  tô me preparando pra ficar um ano longe de todo mundo que amo, no meio de uma crise de competência e nem por isso sou babaca assim.

Quem sabe sou eu quem a vida vai colocar pra espremer limões nos olhos dele agora.

Ego

Ele consegue ser tão ridículo que posta foto no Instagram quase idêntica a que me fez comentar e começar essa merda toda, mas é incapaz de por um ponto final na nossa conversa.

Homem cis é uma desgraça mesmo.

Só suspirando mesmo


Ai ai.

Esse é meu novo sei lá, haha.
Cá estou eu, há menos de duas semanas de embarcar pro Canadá e prum mundo totalmente estranho e maravilhosamente novo, sendo triste. O que significa dizer sendo eu mesmo.

Uma vez a Lu me disse que a minha questão com a morte do David não era propriamente por ele e sim com a morte em si. Confesso ter me ofendido na hora, senti como um desmerecimento a minha dor e apego a ele.
Agora percebo que talvez tenha um pouco de verdade nisso. Já sei desde sempre que não lido bem com essa questão. Ainda é um golpe duro ter perdido meu grande amor, mas também há outros buracos encobertos por esse meu abismo particular.

Essa nem é a questão do post, mas depois de saber que o vocalista do Linkin Park se suicidou automaticamente voltei a refletir sobre isso.
Por essas e por outras é meio bom ser alienado das redes sociais. Tomando conhecimento tardiamente as perdas não chocam tanto, acho.

O que vou dizer é horrível. Tão horrível quanto o fato de um homem brilhante ter se matado, mas não posso deixar esse pensamento preso em mim. Nunca parei pra pensar, mas me conforta o David ter morrido de causas naturais. E meu pai também.
É menos doloroso e agradeço por isso.

Hm.

Meio que estraguei meu roteiro mental sobre o que seria abordado nesse texto.

Fico por aqui. Por hora.

03/08/2017

As vezes a gente se ilude e tal


Pois é, né.
Já começo assim que é pra mostrar que a história é longa e me incomoda a ponto de já querer dar início pelo fim.
Há umas duas semanas atrás comentei na foto de um menino que desde que conheci achei interessante.
Vou desdobrar um pouco da nossa não-relação até esse momento: Ele é um dos melhores amigos dos meus amigos que tem a banda. Um deles que queria ficar comigo e tal, ele mesmo. Eu o vi (vou chamá-lo de Estrelinha) num dos shows em garagem, literalmente, dos meninos. Super deslocado, não falava com ninguém, olhinhos doces e assustados. Não consegui coragem suficiente pra dar oi no dia, só encarar bastante mesmo. Sou desses.
Nos vimos em mais 3 ou quatro ocasiões e depois de muito custo começamos a nos dar abracinho de tchau. Dá pra entender que esta é uma história de duas criaturas ridiculamente tímidas né? Pois é.
Logo no primeiro abraço me derreti. Estrelinha abraça como eu, apertado, com sentimento, irresistível.
Tudo indo sem perspectiva até o bendito comentário.
O comentário incitou Estrelinha a vir falar comigo, super animado e interessado. Combinamos sair, ir a um parque. Por experiência sei que meninos cis gostam de parques pra ficar com pessoas. Não sei ao certo porque, mas vai entender o que se passa naquelas cabecinhas, não é mesmo?
Fomos ao parque, conversamos, ele queria ser cientista quando pequeno. Claro que coloquei ainda mais tijolinhos na minha construção de quem era ele com toda aquela conversinha.
Ele foi tão paciente, tão delicado até ter certeza de que eu estava confortável em ficar com ele, me comoveu. Achei que a gente daria certo. Sempre acho que vou dar certo.

Ele me convidou pra visitar a casa dele. Fomos, conversamos, ficamos. Foi uma entrega inusitada da minha parte. Nunca fiquei com ninguém tão rápido, mas senti que ele era diferente. Eu o quis há tanto tempo...
Tenho bom senso o suficiente pra não transar assim logo de cara, obviamente, mas dei a ele algumas das minhas primeiras vezes.
É engraçado eu me importar com elas. Por algum motivo não sinto nada quando estou com alguém. Meu corpo reage, mas não sinto. Portanto não deveria ligar muito em "gastar" situações que não me acrescentam nada, certo? Mas eu me importo.

Ficou tarde, fomos até o metrô e o dia terminou.
Ele tinha me avisado que estaria super ocupado estudando pras DPs dele, coisa que achei super válida considerando o fato de Estrelinha fazer Engenharia de Materiais na USP. Ficamos em aberto. Claro que pra mim estávamos mais do que fechados.

Bom, ele veio falar comigo e eu não aguentei fingir que não tinha me apegado. Finalmente aprendi que não adianta nada fingir que não mergulhei por medo de assustar os outros.
Estrelinha não mergulhou junto comigo.

Desde o início ele me perguntou como era ficar com alguém. Eu expliquei que não funciono de forma poligâmica e sou extremamente seletiva. Estrelinha achou um amor, me disse que funcionava mais como o meu contrário, mas que achava bom também ter esses momentos com gente mais especial.
É, senhoras e senhores me achei mais especial do que deveria.

A verdade é que gostei da gente, do que poderíamos ser. Nem tudo é perfeito.

Com muito cuidado ele me explicou tudo outra vez. E foi horrível.

(Vou até abrir aspas aqui, porque não consigo sequer colocar em minhas palavras)

"Eu já sou mais solto do que você, então eu fico com outras pessoas. E em relação a sentir, a ter algo no coração eu sou meio complicadinho"

Minha resposta mental: EU ACHEI QUE VOCÊ TINHA ALGO NO CORAÇÃO POR MIM. QUE SOLTO O QUE, MINHA QUESTÃO É EMOTIVA, NÃO LIBERTÁRIA.

"Eu adoro me envolver, virar amigo, deixar coisas boas na vida de alguém, ensinar, aprender, tudo tudo tudo. Eu só tenho bloqueios quanto a envolvimento, intensidade mais amorosa e essas coisas"

Minha resposta mental: COMO ASSIM, CARA? VOCÊ NUNCA DEIXOU ISSO CLARO. COMO VOCÊ TEM A CORAGEM DE SE ENVOLVER COM ALGUÉM QUE É 1000% INTENSIDADE E NÃO AVISA ISSO???

Pois é, foi péssimo. É uma pena ter sido uma mera conversa por whatsapp, queria que ele tivesse a chance de ver a minha cara ao ler e interiorizar tudo aquilo.

De todas as coisas que eu achava estar preparada pra lidar, essa não foi uma delas.

Fiquei tanto tempo pedindo por alguém que me fizesse sentir a vontade de verdade. Vi tudo isso nele.
Contei coisas que jamais pensei em dizer num primeiro encontro. Achei que fossemos iguais.

Já faz uns dias desde que tivemos a conversa da verdade. Claro que não consegui dizer o quanto me arrasou, faz parte.

Desde então continuamos meio que sendo amigos. Isto é, Estrelinha sendo meu amigo esporádico (ele consegue ser pior que eu pra responder mensagens) e eu sofrendo a cada instante em que me vem aquele dia na cabeça.

Vai passar, eu sei.
Aprendi com isso que não devo me entregar nunca mais desse jeito. Não tenho estrutura pra suportar uma quebra ainda. Preciso de mais certezas.

É, não imaginei que fosse ter essa revira volta. Achei que apenas descreveria como foram dias ótimos e desfechos legais.

Acontece.

19/07/2017

Superssexualização e banalização de fofuras


Eu ia escrever uns relatos da minha vida, mas na busca quase infinda pra achar uma imagem pro post, acabei percebendo como grande parte do que a gente costuma consumir ou simplesmente passar os olhos com total naturalidade é na verdade uma forma super agressiva e imprecisa sobre o que desejo e sexualidade são.

Desde os meus quinze comecei a ler mangás com temática gay/bi, aos 16 eu já tinha jogado Dramatical Murder e, bem, posso afirmar que já tinha lido uma quantidade considerável de lemons, doujinshis e mangás extremamente explícitos. A grande maioria sequer chegava a me despertar algum tipo de excitação. Era ok, fazia parte da história. Eu analisava a anatomia, traço, se a cena estava bem costurada ao enredo, essas coisas céticas.

Até esse momento (os meus 16 anos, digo) eu não tinha passado por muitas experiências do gênero, o que me impedia de julgar o que era crível ou não.
Sinceramente, sempre tive muita dificuldade em lidar com sexualidade como um todo. Meu amadurecimento era mais lento, e estava indo bem até (já tinha superado a suposta verdade, na época irremediável, de que "viveria sozinha por não querer transar" acreditei nisso dos 11 aos 15!).
Estava superando minhas aversões, me acostumando com a ideia de sexo e carícia serem algo natural, todas essas coisas que as pessoas normalmente já entenderam com 16 anos na cara.
Eis que comecei a namorar o Rodrigo e tudo foi por água abaixo.
Ele me forçou a pular tantas etapas do meu desenvolvimento, é triste perceber agora como me marcou e me traumatizou.
Fui forçada a lidar com coisas pras quais eu não tinha o menor preparo emocional e psicológico, com medo de decepcioná-lo (e ouvir aquele chantajão emocional malvado).
Bem, isso tudo só pra falar que apesar de não ter o melhor dos iniciamentos na coisa, eu achava que lidava super bem com o assunto, me escondendo na "naturalidade" pra ver aquela pornografia ilustrada toda sem nem ligar.

Ha ha ha. Como a gente gosta de se iludir, né?

Pois bem, hoje com 19 e uma cabecinha muito mais preparada pra lidar com o tema, seja pela vivência alheia a que tive acesso ou a minha própria, consigo ver como a enorme maioria das cenas amorosas dos mangás, jogos, fanarts e praticamente qualquer coisa que envolva um casal (geralmente homossexual) tem um exagero totalmente descabido e que acaba até estressando quem realmente consegue se colocar no lugar da personagem. Sério, tem coisa que não dá.

São cenas tão extremas, tão BAAAAM, excessivas, eu diria até famintas que chega a ser desconsertante.
Foi um custo achar uma imagem que mostrasse "o toque" de maneira que me agradasse.
Imagino que devido a produção ser quase inteiramente de autoria de gente que não experimentou as coisas que coloca no papel  as coisas acabem saindo essa gororoba de suor, baba, gemidos e poses que não chegam nem perto de serem as mais importantes ou memoráveis dos momentos a dois (ou mais).
Sério, é de doer ver como o exagero tira toda a graça dos pequenos gestos que, se retratados, seriam de tirar o folego.

Temos acesso a uma biblioteca imensa de sexo distorcido e isso é muito prejudicial! Pode assustar, iludir, banalizar e nos fazer superestimar as relações na vida real, o que nos deixa frágeis e suscetíveis a travas complicadas de serem identificadas e trabalhadas.
São tatuagens internas que caracterizam a sexualidade como algo voraz, em eterna combustão e visando apenas uma expressão de afeto superficial muito mais voltada pra satisfação física.
 É péssimo e a gente nem faz ideia!

Pois é, fica a dica pro mundo: tente se colocar no lugar do personagem quando for ler qualquer coisa que seja, mesmo em cenas que você normalmente passa batido ou se preserva de ir a fundo, é importante perceber e condenar (mesmo que mentalmente) esse tipo de representação do sexo como um todo.
É por um bem maior, o nosso bem.

Umas mudancinhas


Bem, o que dizer depois de tanta coisa ter acontecido... Fico pasmo com o modo como a vida as vezes acumula provas pra gente passar de nível e em contraposto nos deixa meses, as vezes anos, inerte.

Por pura falta de roupa passada pra vestir retomei algumas blusas minhas mais delineantes. Dependendo do dia ainda é um pouco incomodo, mas como sou sempre um mar de surpresas há momentos em que me gosto desse jeito.
Foram dias um tanto confusos. Minha mãe foi internada por uma dor no peito que por enquanto não dá sinais de ser nada grave, amém. Fiquei com ela no hospital por dois dias.
É estranho dizer, mas veio em boa hora essa "folga". Conversamos bastante, percebi relutantemente que precisava falar do Ronaldo pro Sérgio porque este voltou a ser um tópico extenso de conversa e matei um pouquinho da saudade de passar o tempo com ela.

Antes eu tinha tantas coisas do passado distante pra resolver e entender que esse assunto nem me vinha a cabeça nas consultas. Mas depois de ter certas experiências percebi que já tô na fase de precisar dessa ajudinha. Superar é uma coisa extremamente lenta e árdua. Como sempre, eu chego lá.

Emagreci bastante e finalmente pude ter noção do quanto. Ainda não é suficiente, mas vou trabalhar por 10 dias a partir de quinta feira e acho que com isso já consigo chegar no ponto certo. É bom conseguir retomar minha auto-estima, mesmo que pouco a pouco e por um motivo meio ruim.

Fiz três promessas que pretendo cumprir num estilo semi-penitência do bem.
1 - Não vou comer biscoits doces por um ano. Sou quase viciada em biscoito, então acho que é uma privação válida.
2 - Vou tentar parar de falar/pensar palavrões. É meio bestinha, mas acredito ser uma coisa benéfica de diversas maneiras. Me ajuda no trabalho, quando acabo me descuidando por impulso e também na hora de lidar com frustração ou momentos de raiva.
3 - Nada de siririca por um ano também. Eu já tentei inúmeras vezes pôr essa promessa em prática, mas sempre acabava cedendo. Agora com um tom mais sério e oficial, vou seguir firme.

 É bizarro como minha relação com sexualidade é cheia de complexos, repressões, traumas e medos a ponto de eu sequer ter coragem de abordar isso aqui, mesmo sendo uma coisa que muitas vezes me tira o sono de nervoso e me trás muita, muuuuuita carga negativa.
Hoje pela segunda vez na vida falei mais abertamente com uma amiga sobre o assunto. Nossa, como é libertador e *pasme* normal! Sempre foi um tabu interno e externo tão grande pra mim, fico feliz de finalmente estar progredindo e conseguindo amadurecer e me aceitar nesse ponto.
Esse é um assunto pra outro post. Ah, tenho tanta coisa pra falar, minha nossa.

Não nego que estou me arriscando usando um tempo que não tenho, mas preciso aproveitar essa chance de colocar pra fora esse monte de questões que andam jorrando aqui dentro.

Em frente nós vamos, né não?

06/07/2017

[ ]


É engraçado, porque sinto que meu corpo fala exatamente essa frase. O que em si já é um conjunto considerável de palavras para descrever isso tudo.

Tudo o que, aliás? Também busco uma resposta.
Não tenho conseguido dormir a noite. A manhã passa e quando finalmente consigo sonhos consistentes (tanto quanto é possível para um sonho) já é um novo dia em que escolho pra qual lado da corda bamba me jogar. Levantar, tentar ficar vivo e fazer valer a pena. Ou dormir e ter uma pseudo-vida muito mais satisfatória. Tenho escolhido em iguais proporções as duas formas de levar as semanas por enquanto.
Não é muito bom, mas não é o fim do mundo.

Me entristece esse marasmo interno. Antes eu pelo menos tinha uma infinidade de constelações implodindo, agora é só o vazio mesmo. Melhor dizendo, esvaziamento. Talvez seja um processo natural de reciclagem.
Talvez eu esteja me desmanchando pra valer, depois quem sabe pego gotas do que sobrar e tento construir algo novo. Algo de que possa me orgulhar. Algo que vá em frente. 

Eu só quero ser a melhor versão de mim mesmo. Acredito ser uma enorme injustiça esperar de si o comportamento de nosso alter ego ideal. Apesar disso sou praticante assídua dessa injustiça e tantas outras.

Encontrei algumas amigas nos últimos dias. É um tanto penoso, confesso, ter que lidar com pessoas em fases diferentes. Mais do que nunca me sinto sem ar. Não sou como meus amigos, não tenho uma vida simples de faculdade/trabalho/social, não sou como meus colegas de trabalho, sequer sei se sou alguém no momento.

Sou Camila, uma pessoa doce, muito dependente do afeto alheio e extremamente habilidosa em camuflagem social.
Adoro poesia, minha poetisa preferida é Florbela Espanca. Sinto que temos uma conexão, pois sangro seus poemas como se fossem feitos dos meus tecidos internos. 
Amo crianças, animais, me apego facilmente a qualquer ser vivo minimamente responsivo e sou expert em sentir falta.
Me iludo dizendo que não gosto de histórias tristes, quando na verdade me apoio nelas e seus possíveis finais felizes e idealizados pra sentir que tenho chances. 
Gosto de mim por fora, gosto do que conheço de mim por dentro. Só que ainda falta mais. Ser mais, saber mais, me amar mais. Não sei bem.
Escrevo afim de colocar pra fora coisas que soam muito bem em meus roteiros mentais, mas nunca sairão da minha boca.
Leio porque preciso me agarrar a vidas que dão certo rápido. Começo; Meio e Fim. É como uma droga metafórica da vida, o alcançar do sucesso sem ter de fato vivido o necessário pra isso.
Amo com muita intensidade e medo. Medo de perder.
Sei que sou muito de bom, conheço minhas partes estragadas, só não encontrei o meio termo. Não encontrei o orgulho necessário pra me levar cem por cento a sério.
Passo tempo demais me mimando ao invés de me cuidar. Carrego toneladas de autopiedade entorpecente e tóxica comigo como quem leva aspirina na bolsa.
Finjo ser bem resolvido e engano até a mim mesmo com uma atuação impecável de quem adora a vida que leva. 
O que adoro são as ideias. Perfeitas, imaculadas, planejadas e utópicas, características estas que as tornam meu tipo preferido de passatempo.
Vivo demais na minha cabeça e de menos expirando gás carbônico para um fim maior do que a mera sobrevivência.

26/06/2017

Thalles é bem bom


Sei lá.
Levanto bandeiras que não sigo na minha própria conduta diária e isso me desgasta um tanto.
Sou provavelmente a pessoa mais hipócrita de todo o movimento de body-positivism.
Também digo a todos que temos que nos sentir completos e apenas encontrar outros inteiros, pois nenhum de nós são meras metades. Ha ha ha. Com espaços mesmo, bem falso, bem de acordo.

Ao mesmo tempo me sinto imenso e diminuto, sei dos meus buracos, sempre convivi com eles, mas agora me iludo com a ideia de alguém que seja capaz de costurá-los pra mim.
Sei que sou eu quem tem a linha e agulha, tenho consciência de procurar plenitude no outro quando na verdade preciso me amar o suficiente pra alcançar isso sozinho.
Sei lá.

É tão mais fácil atribuir a fatores externos os motivos da nossa insatisfação. "Não depende de mim, o mundo que é malvado comigo e me deixa sofrendo." Sei que é uma forma infantil e mimada de agir. Só não cheguei no momento de sair desse lodo.

Sei lá.

P.S.: Ele ainda tá namorando a menina lá. Não suporto isso. Vai contra todos os meus princípios, mas como ser humano totalmente falível me sinto tão superior a ela e não entendo como sou eu a fazer o papel de trouxa. A Débora tá namorando, continua perfeita, superou o Ronaldo com louvor. E eu tô aqui. Só me lascando mesmo.